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Grupo BambuBrasil - Entrevistas
 

Prof. Dr. Tarciso S. Filgueiras
Departamento de Agronomia & Zootecnia da UPIS-Faculdades Integradas, em Brasília, DF

BB - Como começou seu interesse por bambus?
Meu interesse por bambus nasceu da observação dessas plantas no campo. De tanto vê-los, decidi conhecê-los melhor, de perto.

BB - Quem você admira pelo trabalho na taxonomia dos bambus no mundo e no Brasil?
Dentre os clássicos, admiro o trabalho de Munro. Dentre os contemporâneos, sem dúvida nenhuma, Thomas R. Soderstrom, um homem de visão extraordinária. Mais recentemente, a excelente Lynn Clark. No Brasil, a única pessoa que se destaca é Tatiana Sendulsky, que estuda o gênero Merostachys. Ela é a Primeira Dama das Gramíneas brasileiras.

BB - Qual a principal dificuldade em corretamente identificar uma espécie de bambu?
São duas as principais dificuldades: 1. Localizar a literatura adequada sobre aquele gênero ou grupo de espécies 2. Conseguir material botânico bem coletado, que tenha todas as estruturas necessárias para a correta identificação da espécie.

BB - É certo afirmar que os bambus são plantas muito antigas, e que pouco mudaram desde que surgiram?
Os bambus são certamente plantas bastante arcaicas dentro da família, porém isto não que dizer que sejam primitivas. Ao contrário, são tremendamente evoluídas em muitos aspectos. Por exemplo, sua organização vegetativa é extremamente complexa e sofisticada. A floração gregária, "en masse" é outro aspecto considerado sobejamente especializado.

BB - Porque os bambus nativos das Américas são tão desconhecidos?
Há várias razoes para isso. Primeiro, bambus em geral dão trabalho para serem coletados. Os coletores preferem coletar pequenas amostras de uma árvore ou arbusto a coletar um bambu inteiro, incluindo a parte subterrânea. Segundo, a morfologia dos bambus é realmente complicada e exige cuidado e atenção do botânico. Terceiro, praticamente todas a literatura sobre eles só está disponível em línguas estrangeiras (latim, inglês, alemão, francês, etc.). Isto é uma dificuldade a mais para muitas pessoas. Mas isto está mudando rapidamente. Com a publicação,em inglês, do livro "American bamboos" por Judziewicz et al. em 1999 (um marco no estudo dos bambus americanos) as bases estão lançadas para estudos mais detalhados. Na minha opinião, todas as pessoas realmente interessadas em bambus americanos deveriam ter este livro como seu "vade mecum"!

BB - O gênero Guadua já foi classificado como uma espécie dentro do gênero Bambusa, correto?
Guadua já foi um subgênero de Bambusa. Atualmente Guadua é aceito como gênero distinto de BAMBUSA. As espécies asiáticas foram mantidas em Bambusa enquanto que as americanas passaram para Guadua, como, aliás, já havia sido proposto por Munro.

BB - Qual espécie de bambu você mais aprecia esteticamente?
Acho difícil responder a esta pergunta porque admiro, amo e sou fá de carteirinha de inúmeras espécies, por motivos diversos. Por exemplo, admiro Apoclada arenicola pelo porte arbustivo e colmos pêndulos, com bela folhagem; Apoclada simplex pelos colmos arroxeados, robustos; Raddiella esenbeckii pelo hábito delicado, que lembra uma samambaia; Chusquea pinifolia pela folhagem extremamente ornamental; Alvimia gracilis pelos frutos ovalados que lembram azeitonas vermelhas. Em resumo, praticamente todas as espécies de bambus são capazes de despertar em mim uma profunda emoção estética. Se você queria uma pequena lista de meus bambus preferidos, veio falar com a pessoa errada. Minha lista inclui todas as espécies nativas e algumas exóticas!

BB - Quais os principais gêneros e espécies de bambu encontrados no cerrado do Brasil?
Até o presente, os seguintes gêneros foram documentados com material de herbário: Actinocladum, Apoclada, Aulonemia, Chusquea, Guadua, Olyra, Merostachys, Pharus, Raddiella e Rhipidocladum. Vale lembrar que muitas áreas da região do Cerrado ainda não foram visitadas por pessoas interessados no estudo científico dos bambus. Pode haver espécies que ainda não foram sequer coletadas nesta grande região brasieira.

BB - Quais são seus planos bambuseiros para o futuro?
Tenho uma orientanda na UNICAMP que está iniciando uma revisão do gênero Colanthelia (encontrado na Mata Atlântica). Também pretendo dar um curso prático sobre bambus do Cerrado. Quero também colaborar no desenvolvimento de técnicas de cultura de tecido de algumas espécies nativas (com a Dra. Marisa de Goes, CENARGEN). Também gostaria de apoiar a implantação de um Bambusetum no Cerrado.

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